domingo, 4 de outubro de 2026

Mal-estar generalizado

Quem diria que viríamos parar aqui, nesse estado permanente de mal-estar, num relacionamento moribundo, enfermo, às vezes com sinal de melhora da morte, e na constante expectativa inquietante de estar entrando em cuidados paliativos?

Na verdade, era bem mais previsível do que queríamos prestar atenção. Você fugiu o que pôde para testar os limites, até que por fim resolveu reagir sob a pressão do medo do abandono. Você sabotou como pôde o que eu tentava construir com tanto gosto e vontade, para não se fixar.

Tenho vagado pelas horas como um zumbi que não consegue chegar à finitude. Não tenho encontrado descanso, paz ou saciedade. Você brincou com a minha alegria e pisou na minha tristeza. Você desprezou os meus planos de ter algo bonito contigo. E agora tem sido difícil me recuperar, mesmo você estando aqui, porque toda a minha fantasia contigo desmoronou. Eu achava que tínhamos algo só nosso, que éramos especiais. Eu sentia como se você fosse algo exclusivo, e todos os meus esforços para proteger isso não chegavam até você. Porque não era exclusivo: era de quem quisesse, de quem viesse. Eu gostava de me aconchegar na ideia de que era importante para você e me deparo, de maneira brutal, com os fatos: muita coisa estava rolando enquanto você dizia que também me amava.

Não tenho tido paz. E também não consigo encontrar um caminho para apaziguar essa avassaladora realidade em que sou só mais um no seu mundo de fantasias. Eu te falei que você não ia conseguir. Eu te falei que você ia me destruir. 

Aliás, moribundo ou natimorto?

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