Ingredientes: 1 kg de batata, 50 g de manteiga, leite morno, sal, um tiquinho de noz-moscada e paciência, que dessa eu estou sem estoque.
Comece escolhendo bem a batata. Eu sempre achei que escolhia bem, o fiel leitor tem visto aí, né. O saco que eu comprei trazia um código de lote, e a segunda sequência dele talvez fosse qm4r8. Talvez. Não lembro direito, estava distraído, olhando sempre o celular, hipervigilante.
Agora olha a batata. Se tem broto, tira o broto. Se tem broto E está verde por baixo, joga fora e não discute com ela. A gente corta o broto e põe na conta do clima, da estação, de uma fase ruim. Quando brota de novo, mana, não é fase, a batata é isso. E cozinhar mais não tira o veneno, eu verifiquei.
Descasque. É a parte que mais dói em quem faz com carinho e gosta de verdade de purê de batatas. A gente vai tirando camada, tirando camada, e lembra de tudo que mostrou, de quanto ficou exposto, e a casca cai na pia como se nunca tivesse protegido nada. Pia cheia de casca, uma bagunça. Lave a mão.
Ponha as batatas na panela com água FRIA e só depois ligue o fogo. Se jogar na água fervendo, cozinha por fora e fica dura por dentro. Eu sou testemunha de que dá pra passar um tempão achando que está tudo mole e descobrir que o miolo continuava surpreendentemente cru. Água fria, fogo baixo, cozinha por igual.
Escorra e deixe as batatas paradas no escorredor uns minutinhos pro vapor sair. Vapor é tudo que a gente ainda não falou. Se amassar com o vapor dentro, o purê fica aguado e com gosto de pressa. Eu só queria que o leitor soubesse a vontade que eu tô de comandar o vapor.
Amasse. De garfo, de espremedor, com a força que precisar, mas NUNCA no liquidificador, porque batata batida demais vira cola. Eu sei que dá vontade de bater, bater de novo pra ver se muda o resultado. Muda: vira cola de escola, daquelas que grudam na mão e não saem. (Fica a defesa: amassar é autorizado, bater não.)
Junte a manteiga com a batata ainda quente, o leite MORNO (frio empelota). Verifique se o leite está bom antes, hein. Porque leite e outras coisas na vida, depois que azeda, minha filha, não adianta tentar ferver. Ah, e coloque a noz-moscada. Prove. Falta sal? Quase sempre falta. Coloque. Tem paladar que não tem talento, e aí não existe sal que você ofereça que vá satisfazer.
Se queimar no fundo da panela, não raspe. Passe o purê com cuidado pra outra vasilha e deixe o fundo queimado lá, que lavar aquilo é problema de outra pessoa. Se raspar, o gosto de queimado vai pra tudo, e você passa a comida inteira achando que era a receita. Era o fundo da panela.
Sirva quente. Rende pra seis ou pra uma pessoa que não sabe dividir. Eu fiz pra dois e comi sozinho, de pé, na cozinha, e estava bom. Estava BOM, caralho. Que mais tu quer?
Dura três dias na geladeira: você sabe que tudo tem prazo de validade.