quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Textão besta

Textão besta, Lucas. Já diria WW: que reflexão o quê, a gente quer é gozar, menino. Gozar!

Que besteira é essa de que eu fui muito rápido em te beijar no primeiro date? Dizendo que entende, mas cheio de moralismo hétero-cristão, que a sociedade é assim, que é tudo muito rápido, apressado, a modernidade é líquida, ai, que não me relis! Que apressado o caralho. Ain't nobody got time for that. Toda essa leseira pra, em seguida, já lançar "ainda me peguei pensando: 'ele não tá invadindo meu espaço?'... mas eu tava amando... principalmente sua forma de beijar... caralho, que delícia". Ô, porra, qual foi da contradição? Você se decida, por favor. Tu gostou, mas o teu moralismo te culpou? E onde é que eu entro nisso? Porque o poder de adivinhação tá pouco. Você já tem 26 anos e poderia ter comunicado que não queria daquela forma. Não queria? Ou queria? E olha, reclamações, dúvidas e elogios direto com o SAC.

Você está com sorte porque queria vir pra minha casa provar o puro suco do paizinho e eu não deixei, porque sabia que ia te comer só pra te usar e deixar interessado em mim. Mas assim já é demais: eu tô tentando melhorar como ser humano e, pra mim, isso foi um gesto de cuidado contigo. Mas é exatamente por isso que eu tô te enrolando pra um segundo date o mês inteiro. Eu não tô com saco pra ladainha. Não quero saber de reflexão de antropólogo que não sabe se desligar num rolê. Tu tava era bêbado e com tesão, caralho. Imagina se eu ia ficar citando Paul Claval e Éric Dardel pra ti ali naquela calçada imunda, fedendo a mijo? Não fode! Ou fode, sei lá. E que papo é esse de discussão de evolucionismo dentro da antropologia? Eu sempre achei vocês peculiares, mas eu já tô pegando ranço.

E vem me falar de trauma? Meu parceirinho, todo mundo tá traumatizado. Não sobrou ninguém bom da cabeça com o fim das eleições se aproximando. Sorry, amor, não tem gostosura que faça o meu pau levantar agora com essa bichice de autoconhecimento. Eu sou geógrafo; se tu quiser continuar discutindo sobre Lugar e me dar um mamadão, eu recebo, sabe. Eu não quero ser seu confidente nem quero passar o dia inteiro batendo papo. Você é lindinho demais, mas eu queria mesmo que você ficasse de quatro e calasse a boca. O seu problema é esse: você fala demais. Óbvio que você nunca namorou: chatinho desse jeito, ninguém aguenta. Até Guilherme Arantes concordaria que é muita loucura pra pouca aventura.

Então, meu amiguinho, a minha construção de mundo também é diferente. Óbvio que você quer continuar ficando, mas é muita burocracia, é de foder, viu... E eu não quero falar de sentimento, futuro e construção. Eu não quero ficar pisando em ovos só pra poder meter em você. Sim, estou ciente; esse aqui também acabou virando um textão besta, mas só porque a hipocrisia é sempre muito elegante e ajuda a compor narrativa.

E não, não vai ter cinema nenhum. Se pá, nós se tromba nas melhores revoadas.

Next.

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