quarta-feira, 26 de março de 2014

Le Toi Du Moi

Então é isso aí que é gostar de alguém?

Não me parece coerente essa descrição. Na verdade, isso aí que você diz parece utópico, lunático e um bocado sem graça. Tudo isso aí é meramente satisfação de desejos, é como se você estivesse falando sobre ser carente e libidinoso, falta de sexo mesmo.

Olha, a minha perspectiva é outra. Não espero que você concorde, aliás, cada qual com o seu cada qual, mas isso aí que você tem não é um namoro, é uma chuva de verão.

Ter algo ou gostar de alguém é mostrar que você tem real intenção na vida da pessoa. Você não pede alguém em namoro, de repente você percebe que está tendo um relacionamento. Todos os dias você acorda e espera ter algo dela ao seu redor, uma gargalhada que saiu se descontrolando por lembrar-se de algo que passaram juntos, mesmo que tenha sido ontem à noite. Você convive com a pessoa, mesmo distante. Você mantém contato, envia uma mensagem contando sobre uma novidade importante, uma realização pessoal e espera ouvir uma resposta alegre com exaltação e sabe que vai acontecer.

Isso é fruto do apego, nasce do compartilhamento da história, de dois, não é sobre o seu individual, você sabe que pode contar com a pessoa, ela vai estar ali, porque já esteve antes.

Nesse contexto, é interessante notar que saudade é uma palavra que só existe na língua portuguesa. Saudade não é só a falta, é uma mistura de angústia com alegria, é uma dor, mas é algo bom de sentir, porque te faz recordar de momentos agradáveis e você quer viver aquilo de novo, agora com maior intensidade.

Daí as coisas ficam empatadas: você manda uma mensagem, a pessoa responde. Você diz que quer vê-la, ela também. Você canta uma música, e mesmo que ela não queira, completa a letra só pra te ver sorrir, daí já não é sobre gosto musical, é sobre te querer bem, te fazer bem, demonstrar.

Andando juntos, achando antes que não daria certo, mas dá, dá sim. É cumplicidade, é companheirismo, é vontade de viver melhor, de planejar momentos pra se guardar. É tudo isso e vontade de ficar pelado com a pessoa. Transar, fazer amor, foder, como você quiser. Mas é com aquela pessoa. É a língua na orelha mandando uma indireta "quero sacanagem com você", sem precisar dizer uma palavra. É o suspiro, o gemido que saiu sem conseguir controlar. É a vontade de ficar perto mesmo depois de gozar. É a vontade de olhar pra pessoa quando o assunto acaba.

É querer indicar um filme que você acabou de assistir, mas não pra qualquer um, pra aquela pessoa em específico, porque você quer a opinião dela, quer mostrar que tem algo seu ali e ela vai compreender. É mostrar a batida singular de uma música que só faz sentindo para os dois.

Se isso tudo é amor? Sei lá, não quero ficar parecendo romancista das 9. Preferiria ser a intercessão entre o sábio e o poeta.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

3 reias de Dom Quixote


Eu fiz os meus próprios sacrifícios.

Hoje cedo contei a meus irmãos que pra seguir a modéstia da família fui pelo segundo caminho que eu mais gostava profissionalmente. Ainda que de acordo, há uma dúvida que me sangra lentamente por dentro, me questionando com tamanho desespero gradual passando pelos dias, me empurrando contra a parede, me dizendo pra decidir se volto duas casas e abdico de me graduar, e ir aos palcos, como quis com igual intensidade antes. É, eu coloquei a minha satisfação pessoal em segundo plano.

Meu irmão gêmeo e minha irmã mais velha arrastaram os olhos e a cabeça de um lado pro outro quase que me condenando à perpétua falando pela moral e os bons costumes, esquecendo que eu sou velho demais pra receber ordens da família. Como se fosse possível me sentar e colocar de castigo. Eles são tradicionais demais, eu uma mistura de Dom Quixote de La Mancha e vadia dos anos 90.

Não me condeno, não mesmo. Me questiono apenas, se seria possível ser melhor do que esta forma triste e peçonhenta de alguns dias, o contraste entre o sábio e o poeta, do lirismo a arrogância intelectual.

Tá aí uma coisa que não entra de jeito nenhum na cabeça das pessoas, que eu não sou nem uma coisa, nem outra. Eu mesmo não me cerco de limites, ainda que eu admita que existem limites em mim mesmo, como eu já expliquei antes. Não estou reclamando, nem desanimado, só não me conformo com este dia, como se a culpa fosse do dia, e não minha.

Eu vivo dessas paisagens, sabe, pra não enlouquecer. É o lado bom da minha profissão, eu posso viajar sempre. Se fosse diferente disso, um dia iam abrir a porta do meu quarto e eu ia estar arranhando as paredes com as unhas e os dentes. Controlado agora, cheio de pudor, bom senso, e umas gotinhas mágicas pra ansiedade que a minha terapeuta receitou.

Fazendo a família de refém da minha sandice com um bocado de comédia, fazendo da minha própria existência limitada a sátira do dia-a-dia. Você me pergunta se eu sou hedonista, mas a resposta depende mais do seu juízo de valor. Nem poderia responder isso a alguém que não corre riscos, que prefere engolir do que expulsar os desejos, satisfazendo.

Esses são meus 5 minutinhos de loucura, instável emocionalmente, mas ponderado pra não me distanciar do real. Eu nem sei exatamente o que está me incomodando, é quase uma frustraçãozinha pra não deixar a vida acomodada, porque eu achei que quando estivéssemos juntos na montanha o beijo sairia natural. Não saiu. Pois é, eu vivi muito planejado. Juro que eu tentei recalcar o desejo, deixa-lo no inconsciente. É como um orgulho do passado, um presente pra você.

E as coisas acabaram assim, tudo tão normalzinho que eu até estranhei. Foram oito dias, dois Dom Quixote pelas estradas, praias compactuando com aquilo que você insistiu em dizer que estava ficando sério, acresce que ninguém tinha combinado compromisso. E um desfecho romântico pra essa história? Que pra cruzar a fronteira foram apenas três reais. Mas não se preocupe que eu não tardo. Eu nunca tardo. E das consequências pode deixar que eu mesmo cuido.

Mas nós somos melhores amigos, certo?

No chão.

Escarrado, gozado.

O chão é o limite do mundo, o máximo das ocasiões, a cama urgente ou aonde morrem todas as coisas.

Ontem à tarde estávamos sentados junto à mesa e agora estou caído no chão enquanto você atravessa a porta dizendo que não dá mais. Empurrou-me no chão pra fazer amor e saiu de fininho, como se quisesse lançar sobre mim uma culpa pela sua ausência. Não me matou, claro, mas resolveu se matar, anulando-se.

Que ninguém se engane com a minha posição inferior, estou caído mas quero mais luta. Não sou um homem acabado. Sou toda essa loucura sendo engolida pelas plantas carnívoras que nascem pelas frestas do taco e rasgam minha carne com uma fome delirante pra, depois, ocuparem todo o quarto numa exuberante savana que te espreita, em silêncio, caminhar pra fora do quarto com medo de amar e de se foder, uma psicologia tão econômica que se assemelha ao pensamento de uma boa senhora que não sai do condomínio fechado porque “a vida está muito perigosa”.

Toda sua lógica peca pela simples razão de estar vivo. Sua lógica foi criada para os mortos. Eu estou vivo, sou uma planta de raiz profunda.

E no meio dos seus passos calculados você tropeçou e assoprou um “eu te amo” quase entalado.

Eu respondi que te amo mais.

Então você virou a cara para o lado pra não ver um elefante no meio da kitnet.




quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A Minha Grande Savana

As longos dos tempos, vez por outra estive caminhando só. Sem ninguém para me fazer um chá quando enfermo. Pensando que toda minha erudição morreria comigo, sentindo que o tempo debochava  de mim dizendo que a minha vida não valia de nada.

A meu redor muitas almas fracas, sedentas de atenção, pedindo qualquer palavra de alento, implorando por um pingo de amor; coisas fúteis. Acresce que eu mesmo poderia lhes pedir o mesmo com igual intensidade, se eu estivesse no mesmo páquito da mediocridade de espírito.

Não o fiz. Muitas vezes preferi me isolar bem acompanhado de algum livro de antologias poéticas de autores que nem sequer conhecia, e ainda assim foi a melhor escolha, alimentando a cabeça, a alma, sendo menos alienado, mas não superior ao desejo.

Me escondi, me prendi. Tão menos inconstante não poderia parecer, divagando em folhas de cadernos sobre ser jovem e idoso, audaz e arrogante, um bonito e seletivo moço, mas nem um e nem o outro, apenas sendo qualquer coisa de intermédio.

Estou com os olhos cansados, quase desistindo, mas tão persuadido por minhas próprias palavras que não consigo deixar o bloco de notas e esta ponta 0.5mm andarem por vontade própria espremendo todo pequeno sentimento, agora esboçado, impresso no papel.

Talvez amanhã eu acorde e descubra que isso tudo não passa de troca de hormônios, da idade, sabe. Que falar três idiomas não faz de mim outro, apenas aquele mesmo. Ainda assim, fico com medo de me ver daqui há 15 anos sendo o mesmo; fútil e refutável, intolerante e cheio de tempestades.

Vinte e dois anos, ainda sou um menino dividindo esta paisagem solitária com os pássaros e com uma colher de doce da casca da banana que a minha avó fez pra mim.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Pra Fugir.


Muita gente por aí se intitula "ruim" pra tentar intimidar os outros. São todos um bando de crianças fúteis e fragilizadas. Verdadeiramente amadores. E a minha falta de sorte, tamanho infortúnio é estar rodeado por gente desequilibrada que nem sequer sabe atuar.

Sejam menos originais, credo!
Vocês todos os dias são as mesmas coisas: cotidianos, tributáveis. Tão prognosticáveis que ficam irrelevantes

E nem me chamem de temperamental, tô sendo muito brother em lhes falar a verdade.

Anyway, alguns de vocês não vão vingar. E é por isso que eu nem mais bato cabeça tentando entender os delírios de vocês.
E nem adianta psicólogo, vocês são caso de polícia.

E eu comigo, não me importo que de outra forma seja.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Serra do Tepequém - Roraima


Please don't you ever ask me things I wouldn't like to talk about 
It's time to get in touch with things, we always used to dream about 
I'll take a train in technicolor 
Come along be nice to me my girl 
Through the window, the nice thing on earth will pass by 
Moving slowly 
Though the wide screen I'm gonna see me kissing you babe
In tecnicolor...

Os Mutantes - Tecnicolor