quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Com rancor, se não, não tem graça.


Eu tenho um primo que veio de Belém atrás de uma vida melhor aqui em Manaus. Logo que chegou passou dias no sol quente procurando emprego até encontrar uma vaga numa operadora de celular. Contudo, pra trabalhar nessa empresa ele precisava de calça e sapato social (o que ele não tinha). Aqui em Manaus ele ficou hospedado na casa daqueles que se dizem minha família paterna e que professavam morrer de amor por ele. Não o ajudaram em nada.

São uma gente insuportável que sempre me perseguiu, me julgou, desprezou, me trataram mal, sempre jogavam discurso de ódio em cima de mim. Nunca me ajudaram em porra nenhuma também, só me fizeram mal desde que eu comecei a morar em Manaus onze anos atrás. Enfim, esse pessoal não ajudou meu primo porque são uns mortos de fome que não tem nem pra si, e que ao invés de procurar melhores condições vivem a cuidar da vida alheia. Pasmem: são todos evangélicos e não saem de dentro da igreja. Pois é, fui eu que logo após ter sido expulso de casa, com pouco dinheiro pra me manter fui ajudar esse meu primo com uma calça e um sapato social pra que ele pudesse conseguir a vaga de emprego.

Passado mais de um ano, hoje esse meu primo só me manda mensagem quando precisa de dinheiro, e eu que não tenho vocação pra idiota não mantive mais contato com ele. Mesmo assim me reservo o direito de me indignar e achar um absurdo ter uma família tão podre e desprezível. Podem me julgar o quanto quiserem, mas eu sou o único de seis filhos que entrou numa Universidade Federal, fez Mestrado e é concursado, enquanto essa familiazinha de merda vive fodida sendo explorada por pastor comedor de cérebro.

Obs: NÃO AO GOLPE! Não a PEC 241! #ForaTemer

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Bruno

- É só marcar que a gente vai tomar esse sorvete... Compra um patins pra ti também...

Bruno, don't think we're ok just because I'm hear, you've hurt bad but I won't shed a tear.

Sorry, pausa na Duffy. Warwick Avenue. Too dramatic.

Não pense que está tudo bem. Você me magoou feio (mais esta vez) no dia que marcou de ir andar de bicicleta e fez um escândalo dizendo que não ia esperar porque eu iria me demorar. Veja como a sua ingratidão me dói. Exatamente uma semana antes quando tu estavas doente ligou todo mansinho pedindo ajuda. Tua namorada não te ajudou, nem conte com nossos pais, muito menos teus amigos. Tamanha é a lei de afetividade e intimidade que o sangue clama, que fui o santo mais preciso (e rápido) pra quem enviastes uma prece. Naquele dia eu tinha compromisso, sabe. Mas saí o mais breve que pude do trabalho pra te comprar os remédios, eu conheço essa tua demanda de alergia since we were kids. Então eu perdi minha sessão de acupuntura e tu chegou atrasado. Tu estavas em casa descompromissado naquele dia, eu de ônibus deixando um compromisso tentando ir a outros dois, tu de carro. Eu cheguei no horário marcado no Millennium, mas fiquei te esperando porque eu tenho lá meu lado altruísta e te tenho amor. Ainda que o altruísmo tenha uma face ambígua do egoísmo; a gente faz porque espera algo em troca, neste caso alguma coisa de gratidão. Tipo compre um e leve  alguma outra coisa que pra alguém parece vantagem. Amar alguém é também abdicar de suas preferências, como, por exemplo, apropriadamente neste caso, manter 100% de pontualidade todas as vezes, uma vez atraso não mata ninguém. Amar alguém é mostrar que temos real intenção na vida da pessoa. Fora o fato de que eu comprei os teus remédios - que não foram barato, com o dinheiro da minha poupança que reservo tal e qual para comprar o carro, já que eu ainda não tinha recebido meus vencimentos, depois eu repus o dinheiro, sem bronca. Bitch better have my money.

Sete dias depois de te comprar os remédios tu fostes extremamente grosso, insensível, desrespeitoso, egoísta, me vilipendiou dizendo que não ia esperar. Frívolo. Eu tinha me programado pra passar um tempo agradável contigo após teres te recuperado, mas veja, tinha chego em casa pouco tempo antes de tu me ligares, apenas me joguei na cama, estava exausto, esperando tua ligação pra criar forças pra levantar e ir ter o tal tempo agradável pra distrair toda uma carga negativa construída durante o dia, sem sucesso, com frustração. Parece tolo, tu não me vais dar razão - porque nunca das, tu vais te justificar até a morte pra provar pra si que estou redondamente enganado. Magoa. It's not just a little thing. Mas eu insisto, tu já fizestes isso tanto comigo que pra ti é comum, cotidiano, rotineiro sobejamente impor as tuas preferências e exigências pra cima de mim. Tu exiges imperativo, não existe um diálogo pra chegar a um meio termo "nem eu, nem tu" e por fim eu tenho que ceder (não sei porque lei de transtorno cerebral o faço) pra que um simples passeio se faça. Enough. I'm sick and tired of my phone r-ringing. Então não pense que estamos bem só porque eu estou aqui. Te atendo com complacência, paciência, não abuse. Se precisar de mim de novo, cê sabe que a casa é sempre sua venha sim (Chico). Mas venha com retidão, mansidão, que, meu caro, não lhe custa nada. E o santo é de barro.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A Sabor do Momento

Dentro de mim habitam dois cães. O primeiro é um poodle dócil, meigo e companheiro. O segundo é uma mistura de Rottweiler com Pitbull. Ambos coabitam alternando-se a sabor do momento. O primeiro senta, escuta, ajuda a curar as dores, o segundo é onipotente, onipresente, teimoso, indisciplinado e não arreda o pé do pátio da minha mente. Os dois são amigos entre si, mas se manifestam em sentidos opostos quando visitados sem autorização. Um todo mundo ganha de graça, o outro você precisa colocar a mão pra dentro da grade pra conhecer.

terça-feira, 16 de junho de 2015

O Barão

Quanto mais te tenho, mais te quero.

Dediquei algumas horas do meu dia tentando entender onde você estava, que não aqui. Não sei se lhe expliquei corretamente como me sinto, por isso digo sempre que aprecio sua existência próxima a minha, com ênfase, sem querer ser prolixo.

Resisto em me alongar, quero ser breve, mas me encontro neste eterno estado de contemplação. Tenho acordado todos os dias no exato momento em que sei que vais ao trabalho, quase sinto o beijo de "bom dia".

Recebo com alegria teus dizeres matutinos, não importa a hora. Te escrevo porque fui acometido de uma saudade que parece tola e simultaneamente razoável e compreensível, embora tenha te visto ontem. E mesmo que o tempo esteja a nosso favor eu mal posso esperar para seguir contigo.

Almost there. September, 2014.

Esse ano eu quase amei. Tive dois amores. Os dois surgiram como príncipes garbosos, astutos, donos de si e ainda que parecessem despropositados, se importavam (importam) muitíssimo com a segurança do seu próprio coração, egoísmo. Todo esse autocontrole para no final se provarem duas crianças chatas, que mais pediam atenção do que retornavam.

Esta semana foi excepcionalmente distinta para mim. Terminei as aulas da graduação e isso me trouxe um misto de sensações. Não sabia ao certo se deveria encontrar-me grato pela condição, ou infeliz por não ter ninguém em especial para comemorar.

Fiquei imaginando se meus amores me dariam um abraço emocionado mais altruístas por mim. Achei satírico o desejo e tratei de esquecê-lo. Talvez, na verdade, seja meu orgulho e arrogância que os tenha levado para o lado oposto da mesa. Fiquei extremamente triste com essa possibilidade. Me achei estranho, a final, não é normal não conseguir amar e ser recíproco. 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Vou te contar

Ok. Vou te contar.

O maior desafio em ser ator é atuar todos os dias na vida real, sempre fingindo estar bem por dentro e por fora. É muito difícil, mas até que eu me saio bem, tanto prova é que as pessoas ao meu redor sempre me dizem que aparento muito seguro, autoconfiante e inteligente. Quando na verdade, sou um desastre por dentro, um misto de sentimentos que nem eu mesmo sei dizer o que é, parece você com TPM. É sério, não estejas a rir-se.

Eu nem gosto de falar sobre isso, sinto que confessando que sou um fracasso acabo agindo como. Exceto com a minha psicóloga que é uma santa, me escuta e me entende, pela natureza da profissão. Só estou te dizendo tudo isso porque é minha amiga e confio em ti, além do que você olhando de fora me dá uma análise mais sóbria, que enxerga além de mim e pensa na medida.

Enfim, isso tudo veio a tona por que não deu certo lá com o tal garoto. Eu estava realmente estável emocionalmente e achei que precisava desse sentimento patético de paixonite pra me dar inspiração como artista e ajudar a compor os personagens nos filmes onde estou atuando. Você é diretora e sabe que não dá pra atuar sem ter sentimentos fidedignos, eles são como informações que precisam vir à tona em cena.

O problema é que os personagens ainda estão em mim, e eu os quero exorcizar o quanto antes. Seja como for, agora me veio essa paixão que eu criei e projetei no garoto. Não tive coragem de conversar com ele sobre tudo isso. Nós marcamos de sair no sábado, não deu certo e eu tomei isso como um sinal pra me afastar e assim evitar futuras frustrações e o drama - até porque eu não estou atuando em nenhum drama. Fui eu que projetei emoções nele, sabe, tudo sandice minha. Mas tá tudo certo, ele não me deve nada.

Outro detalhe importante é que eu só fui tão longe por que ele me disse na nossa primeira noite que tinha medo de transar comigo e depois eu sumir. Nunca tinha sido passivo, me dizia ele, e eu acreditei porque deu pra perceber, se é que você me entende. Eu me senti então, na obrigação de ser cavalheiro. Insisti em conhecê-lo melhor, ele achou ótimo. Acho que no fim ele só não queria se sentir usado, e corteja-lo foi bom, pro ego dele.

Pronto, vomitei tudo. Bem minha querida, não quero te tomar mais tempo, sei que você têm suas próprias adicções. Um beijo, boa noite.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Viajante

Um viajante e seu cavalo iam em uma estrada solitária, quando, passando por uma casa, o viajante parou onde uma família estava reunida esperando o parto de uma criança. Ele, solidarizando-se com a situação, escreveu algumas frases em um papel, dobrou, entregou a uma das senhoras dizendo que era uma importante oração sobre o parto da criança, porém, o bilhete SÓ DEVERIA SER lido horas depois do parto da criança. Antes de ir pediu também que lhe desse um pouco de comida e água para o cavalo. Com efeito, depois do viajante ir-se, leram o bilhete que dizia: "Comendo meu Cavalo e eu, pode parir quem quiser." Moral da história: Desde que o meu bairro seja seguro, o meu ônibus não pegue trânsito e eu vá sentado, tenha água e luz na minha casa FODA-SE TODO MUNDO!