terça-feira, 22 de setembro de 2026

Pai

Mês passado eu perdoei o meu pai. E ele me perdoou. Fazia 11 anos que não nos falávamos.

Eu me ressentia muito de tudo. Me ressentia das brigas, das cobranças, de não me sentir aceito, não sentir que era prestigiado. Me sentia preterido e rejeitado. Meu pai ficou surpreso de ouvir que eu sentia que ele não gostava de mim, doeu nele. Ele também pediu desculpas e me deu uma lição de humildade.

Ele compreendeu o meu sentimento e fez questão de explicar todos os motivos que perturbavam a vida dele naquela época e disse que não queria me contar o que estava acontecendo nos bastidores pra não me sobrecarregar. Alguns daqueles motivos eu conhecia, também não quis comentar que sabia para não invadi-lo.

Ele enumerou tudo que sentia, as coisas boas e não focou nas ruins. Ele foi o homem forte que eu conhecia e admirava. Disse sobre sua dor de saudade todos esses anos. E que sentia que era demais a minha reação em nunca ter voltado; que isso lhe fez mal. Ouvi, não rebati, só pedi pra explicar que não foi falta de vontade o regresso, foi falta de coragem.

Agradeci por ele ter sido paciente e receptivo. Ele agradeceu por eu ter voltado. E de lá pra cá estamos tendo cuidado um com o outro, estamos nos atualizando e revendo fases boas que tivemos juntos na vida.

Eu amo meu pai e hoje sei que ele me ama. Fico feliz que tenhamos tido oportunidade de resolver esse hiato com paz. Talvez isso signifique cura. E eu estou 100% disponível para isso.