segunda-feira, 12 de outubro de 2026

It's boys' night out

Sábado a gatinha Talisson, meu melhor amigo, veio pra cá. A fofinha ficou de vir cedo para instalar umas coisas (uma gradinha de pendurar fotos polaroid, um espelho de macumba que a Marie me deu), furar no lugar certo onde as molduras dos meus diplomas deveriam ficar e montar o suporte do monitor novo. Ficou tudo pronto. A gata chegou meio tarde, mas coitada, a fofolete trabalha no segundo turno; deixa a mana dormir mesmo. Me contou sobre os boys, sempre iludida por algum macho "hétero" que vá chegar e resolver a vida dela.

Repreendi em nome de Satanás.

Falei que minha filha está ficando com a autoestima muito baixa e que tá na hora de se valorizar. Até o peso argentino tem se valorizado mais que a fofura. Gatinha me falou de um boyzinho luxo do novo emprego com quem ela sequer tem coragem de trocar ideia, sendo que o menino está nitidamente desejando ela nua com uma maçã na boca.

Não reconheço essa puta. Essa aí não fui eu que criei, pode mandar de volta pra praça dela. Como assim não sabe ainda sequer a idade dele? Pegou uma chamada. Logo em seguida suavizei, porque ela tá finalmente dando moral para um boy advogado que, pelo que me contou, é uma bichona recém-assumida que tá a fim de troca-troca. Maricona que deixou a bonitinha PLAN-TA-DA no barzinho porque disse que precisava cuidar da filha. Brinquei que a gata tá a fim de ser madrasta. Desde quando homem cuida da filha sábado à noite? For me, that was weird. Anyway. Eu aos beijos com o meu mucilonzinho igualmente luxo e a outra com cara de velório, chateadíssima, digitando e scrollando pra lá sozinha. Dei de ombros, porque eu amo, eu que criei, mas eu não permito que filha minha seja feita de palhaça. Ficou lá no bar como quem fica de joelho no milho.

Eduardo, que de pau duro já sussurrava no meu ouvido que estava louco para me dar, apressou nossa vinda para casa. Não apressou mais ainda porque encontrei com Ingrid, uma amiga querida do passado com quem contracenei em Júlia, um curta que quase viu a luz do sol, não fosse o perfeccionismo da diretora cri-cri. Ingrid me contava que agora faz jiu-jítsu, que eu fui tudo pra ela naquela época, que ela se entregou pra preparação de elenco porque confiava em mim, mesmo quando eu colocava um saco na cabeça dela e saía arrastando-a pelo set de gravação (era parte do roteiro, fica aqui a defesa para o policial que estiver lendo esta crônica).

Adoro Ingrid, falamos mal do Paco, que era o único ator formado mesmo do elenco. Era um gostoso, fui apaixonado por ele, e ele era um babaca; se achava demais para findar não sendo absolutamente ninguém no cenário escasso do mercado de arte audiovisual desta cidade. Uma pena não levarem a cultura a sério como indústria. Ingrid falando que finalmente tinha sido diagnosticada com bipolaridade, que gastava rios de dinheiro em besteira, me mostrou uma Crocs que comprou por 600 reais. E quem quer ser fútil com um cigarro na mão e uma Crocs rosa no pé na Av. Igarapé de Manaus as 2 horas da manhã? Não conheço ninguém que se aproxime do exemplo igual aos que se sentam comigo. Aliás, quem me dera.

Corta para Eduardo quase me lambendo o rosto, uma veia do pescoço nitidamente saltando de tesão, e eu quase a fazer algo que realmente comprometesse este texto ali em público. Pedia baixinho: "me enche de porra, tô precisando da tua porra", para ter como resposta: "só se você prometer só tirar quando eu mandar".

Voltamos correndo para casa. Fui deixar o Talisson lá embaixo; volto e tem um twink louco dobrando roupas recém-tiradas da corda e jogadas no sofá, enquanto discutia com a Alexa por ela não tocar a música certa só porque a assinatura não está em dia. Um absurdo, essa Alexa, viu. Não se fazem mais assistentes como este, com TOC e mania virginiana de organização, às 3h30 da madrugada. Fiz ele largar tudo para já começarmos a transar no banheiro.

Um desespero gigantesco para terminar a porra deste banho.

Satanás, que aceito como meu senhor nessas horas, sabe que twinks são os melhores para render na cama. Não precisei ensinar quase nada: botou o pau na boca e ficou gemendo alto, delirando de tesão. Mal meti e ele já começou o escândalo silencioso: "Vai, meu paizinho, fode essa puta, me enche de porra, ai, caralho, que pica gostosa, isso, assim, com força mesmo, me bate? Por favor, me bate, eu mereço apanhar, eu sou tua puta". A parte que faltou eu fiz questão de ensinar porque ele fez por merecer: "fala que eu sou seu marido…". E ele, alegre e satisfeito, dava vida à fala para ganhar mais estocadas à medida que dizia: "Você é meu marido, eu te amo, você é minha vida, você é meu dono, nunca mais eu vou dar pra ninguém, amor, eu juro, só pra você. Só, por favor, me enche de leite".

E Satana, que se faz agora senhor de quem está excitado lendo isto, deu igualmente sustentação para aquele jovem de 20 anos esguichar porra por toda a cama enquanto eu colocava a mão na boca dele para conter os gritos de prazer - não quero pegar multa do condomínio, melhor evitar comoção. Dormimos violento, agarradinhos, depois disso.

Pense num menino que passou o dia me acariciando, cheio de afeto e desejo. Não comi de novo durante o dia; ficou o meu compromisso com o exigente freguês de que terá de voltar para tomar mais leite, com o registro no código do lote que começa com a sequência zp8yi. Tive que inventar que precisava estudar hoje para o bebezinho pegar seu rumo. Chegou em casa e fez mil declarações de amor por mensagem, do jeito que a clínica do Pedro espera me receber, relatando isso na semana que vem. E aconteceram tantas outras coisas neste fim de semana que triplicariam este relato sem foco, cuja função é apenas esta: registrar como processo.

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