Acordei melancólico. O hush do fim de semana passou. Comecei a fraquejar na cabeça. Ainda não muda o resultado do meu voto monocrático, mas entra o pesado poder do voto de Minerva. Tô achando que, a qualquer momento, Sua Excelência pode pedir vista e suspender a minha decisão via liminar. A outra parte também é boa no exercício de suas atribuições legais; não podemos subestimar. Só não acredito que nenhuma sustentação oral vá trazer novos achados ou perspectivas novas sobre o já batido e massacrado julgamento dos fatos. Mas saí por um instante da toga e pensei: errar é humano. Poderia um criminoso tão perigoso quanto este ter cometido suas infrações por puro descontrole? Seria ele inimputável? E que tal um habeas corpus, impetrado de urgência para combater alguma carência de prazo ou vício processual? Não seria próprio do mais alto nível de valor democrático garantir a ampla defesa e o contraditório? Você ouviu o depoente: ele disse que sentia muito, que não fez por mal. Por Deus, não seria melhor olhar para esta cruz atrás do juiz e admitir que não somos mesmo laicos? Permitir que Maria intercedesse desta vez? Talvez a pena pedida lhe seja pesada demais. Quem sabe essa segunda parte do código de registro dessa edição do Vade Mecum, a que diz r7d2n, tenha sido impressa errada? Talvez fosse o momento de não pesar a mão na condenação e ponderar. E, subitamente, sou agarrado por um sentimento de que só existe lei porque as pessoas não têm bom senso e, por isso, a jurisprudência deve ser seguida à risca. Para dar exemplo. Algum pensador talvez tenha dito que "consciência social de brasileiro é medo de polícia".
Não sei. Não tenho elementos para condenar ou arquivar hoje. Chama o meirinho rápido e adia esse julgamento.
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