domingo, 1 de outubro de 2017

Velhacaria

Hoje num grupo de WhatsApp de professores publicaram um vídeo falando sobre "Ideologia de gênero". 7 minutos de muitos absurdos. E como eu sou um crítico azedo fiz questão de comentar.

Em primeiro lugar que pra dizer que existe Ideologia de gênero pressupõe-se que exista uma ideologia, pensamento dominante pregado fielmente por um grupo, categoria ou classe. Não condiz a realidade. Ninguém de bom senso e boa fé diz a uma criança q ela não nasce homem ou mulher. Na biologia há um consenso de que nascemos macho ou fêmea. Mas, se uma pessoa chega a conclusão, sem nenhum tipo de "doutrinação" de que ela não é nem macho e nem fêmea, como é o caso dos não binários, quem sou eu pra lhe apregoar algum padrão? Aliás, pra crianças pênis ou vagina serve estritamente para manter as funções biológicas. Elas não conhecem toda essa erotização em cima do sexo que nós adultos conhecemos. Professor que parou na licenciatura não reúne condições pra avaliar e definir sexualidade de ninguém. Talvez os psicólogos - os bem intencionados, estão melhor credenciados para opinar.

Aliás, há um consenso na ciência de que sexualidade não parte da genitália, mas do sistema neural, da complexa cadeia de hormônios, e sobretudo de tantos outros fatores de ordem psicológica.

Um material desses pregando a existência de uma ideologia de gênero com certeza é idealizado por religiosos fanáticos e fundamentalistas. Gente ignorante, que não estuda e difama a ciência. Repudio veementemente esse tipo de ideia. Apropriadamente o colega Jevaldo lembrou que líderes religiosos como o Silas Malafaia são oportunistas, demagogos e usurpadores dos fiéis. Seus discursos como dardos inflamados vem dando subsídio a toda essa polarização relativa a gênero. É uma arruaceiro, agitador.

A minha esperança, claro, é que um dia virá uma classe de professores que não mistura suas crenças particulares religiosas com os interesses do Estado. Ao professor servidor público, agente do Estado é reservado no dever da docência proteger a constituição. Constituição essa que deixa claro a natureza do Estado laico. Não interesse religioso. Desse jeito vamos acabar mudando o nome do país de Brasil pra Cristanistão.

Por isso fica meu repúdio. Tenho desprezo por todo o conservadorismo sórdido e tradicionalismo barato.  Me vem, contudo, a calmaria ao lembrar que esse tipo de pensamento está próximo da aposentadoria. Nós jovens e estudantes vamos corrigir a negligência dos antigos profissionais. É justamente pela velhacaria que existem profissionais em escolas que mesmo sendo concursados para serem professores, fogem da sala de aula como o diabo foge da cruz, acostumam-se a ocupar cargo em equipes gestoras e se escondem dos alunos. Ora, não sabem lidar com problemas contemporâneos. Pelo contrário, por terem terminado a faculdade e não terem prosseguido com os estudos demonstram toda a sua covardia escondendo-se atrás de discursos fundamentalistas, o que é extremamente danoso a educação e quando se transfere pra estrutura do Estado é absorvido como fascismo, fingindo se preocupar com a "moral" pra impor seus discursos de ódio a diversidade sexual.

Não citei nome, mas imediatamente meia dúzia já veio se acusando. Ademais, carapuça é tamanho único. Não cito nome porque o cinismo que alimenta os defensores da existência da "ideologia de gênero" é o mesmo que me consome, só que de maneira contrária. Aliás, cinismo não é exclusividade de ninguém.



domingo, 17 de setembro de 2017

Me pop

"ain, eu sou discreto, fora do meio, não gosto de afeminado, gosto de macho..."

- meu amor, vc dá pinta sim, todo mundo sabe q vc é gay. E ninguém gosta de gay incubado, q usa máscara pra ser socialmente aceito. Vc não passa de um covarde q fica se escondendo com medo se ser reprovado, daí vai vivendo essa vidinha de merda, infeliz. Até pq os q gostam de "macho" vivem nessa ilusão de encontrar "o macho alfa". Tá todo mundo cheio de desejo e ninguém chega junto. Vc faz essa imagem de q não gosta de afeminado e no final faz a mesma q o afeminado. Ser passivo com imagem heteronormativa não te faz menos gay. Pior ainda são os ativos q querem bancar o "não sou viada pq eu só como". Só q o afeminado tem coragem de viver a própria sexualidade e vc fica aí pagando de mal comido. Os afeminados fazem ouvir suas vozes para legitimar nosso direito de ser como quisermos, e vc covarde se beneficia das mesmas conquistas sociais, apesar de ser um peso pro grupo. Vc realmente não faz parte do nosso meio, o nosso vale não merece ter alguém preconceituoso e desprezível. Fica aí na sua bolha, sozinho até vc refletir e deixar de ser escroto.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Também não dou mole

Não sou de falar sobre como me sinto pra pessoa que me ofende. Sou assim desde criança. Detesto conversas extensas sobre sentimentos, acho frívolo. Puxei a minha mãe. A pessoa me ofende, eu me afasto sem dar explicações. Não gosto. Acho um desgaste desproporcional. Faço isso puramente para me proteger. Recuo mesmo, de prontidão. Minha mãe sempre diz que dá um boi pra não entrar numa briga, e uma boiada pra não sair dela. Eu também. Pareço brigão, faço contenda e questão por tudo. Mas Deus sabe o esforço que eu faço pra não entrar em conflito.

Lembro de ter parado de conversar com a professora de francês quando eu tinha 11 anos. Ela foi rude, se desculpou porque é assim que manda a etiqueta, mas nunca mais ouviu nada além do necessário de mim. Nunca tolerei falta de respeito.

Sou tímido. Não é por falar muito que sou extrovertido, por amor de Deus! Falar muito é ser tagarela, ter opinião. Mas não discuto sentimento com qualquer um. E quando alguém me ofende eu fico por ali pelo canto remoendo, me indignando, me enchendo de tédio, engolindo como quem engole um remédio ruim, me afasto até matar a pessoa dentro de mim.

Tantos outros com quem eu perdi contato acharam que eu me afastei por orgulho, prepotência, talvez seja por isso também. Mas eminentemente por proteção. Sinto que se te mato ganho sobrevida. E não me venha com receita de bolo sobre "nós conseguimos superar isso conversando". O ofendido é quem sabe o próprio fardo.

Odeio pedidos de desculpas quando a pessoa faz algo que obviamente é intencional. Não tem nada mais incompetente do que pedir desculpas. Pedir desculpas pressupõe que você teria feito diferente. Se vc fez de maneira intencional, vc teria feito diferente?

Eu simplesmente não sou de expor sentimentos. Posso até mostrar a intenção, mas não dou mole. Eu nunca fiz isso e tá longe de eu ter a capacidade de fazer agora. Aliás agora contraditoriamente estou fazendo simplesmente pela força do ímpeto que me acometeu.

Já até tentei debater com o meu último desafeto. Foram os piores 3 minutos da minha vida. Um horror ficar de peito aberto. Sinto que dizendo como me sinto acabo parecendo uma fraude. Porque aparento ser uma planta de raízes profundas. Sou uma daninha, indesejável, uma praga. Por definição rústica.

Detesto quando me ofendem e tentam relativizar "ai, você é muito sensível". Não espere que eu rasgue explicações viris. Se eu chorar você até se comove, mas assim já é demais, nem eu me aguento.

Se você me ganhou de presente, com laço e etiqueta de garantida você que tenha cuidado com as suas palavras. As palavras fogem. Constroem e destroem. Não me acerte. Escolha com cuidado pra não me aviltar. Não pense que um pedido de desculpas me faz ter amnésia. Vai tá tudo bem guardado pra sempre ser lembrado. Porque eu também não dou mole.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Drop That Diva


Eu insisto que Drop That Diva é uma das melhores comédia/drama de todos os tempos, mesmo que eu não goste de quase nenhuma série desse gênero. A Jane Bingum é bem sucedida profissionalmente em todos os episódios, mas só se mantém naquele escritório porque espera um dia poder contar ao Greyson que na verdade ela é a Deb, amor da vida dele, mesmo sabendo que esse recomeço precisa ser logo.

Jane ou Eu, com o coração encharcado de vinho, é melhor deixar os créditos subirem.

Um ensaio sobre a mentira.

Eu não tenho formação acadêmica em psicologia, neuropsicologia, psiquiatria ou afins, mas confesso que já li bastante e é uma área que me fascina. E este também não é um comentário acadêmico, são só algumas observações do senso comum.

Acho normal e até compreensível quem mente para se sair de alguma situação desagradável ou para não se comprometer nas diversas nuances da vida, seja profissional, pessoal etc. A mentira, quando esporádica é até perdoável - em certo limites, desde que não influencie nas suas relações sociais, comprometa a integridade e dignidade própria ou dos outros.

É interessante ver a mudança concreta, porém inconsciente de quem mente.

Doi.

Adianta gostar?
Adianta se tudo que você quer é estar perto da pessoa? Quando tudo o que você quer é olhar dele penetrando um fio da sua própria essência. Nada digital love, tudo in personal.
Dói. Rasga a derme e a epiderme. Rasga o último fio de esperança. Rasga a última coisa boa desta carne e osso.

Post it. Put on the door of freezer.

Gostaria de deixar aqui registrado para o meu eu futuro que hoje, 24/01/2013 eu estava insistindo em um relacionamento que obviamente não tem nem pé e nem cabeça. Como já fiz antes, pelo menos quatro vezes. Num relacionamento onde o que eu faço não é recíproco e quase todas as minhas atitudes são mal interpretadas. Tudo que eu faço de bom é esquecido e quando mal intencionado, nunca perdoado. Não quero o material, quero o respeito, a consideração. O material? ao diabo. Mas dizem que tudo que é palpável, que é mensurável, prognosticável ou calculável é de igual forma material. Então vamos levar a ansiedade pelo respeito também a análise.

Fruto de muita imaturidade e desejo sexual reprimido na adolescência, está arraigado em mim o desejo de amar, de tentar e fazer dar certo com alguém, alguém errado. O curioso é encontrar o amor da minha vida pelo menos uma vez por ano, alguns anos, cinco vezes por. Soa tão patético quanto realmente é.

Um dia, eu não vou mais sentir isso. Serei mais seco, mais triste, mas não choroso, irreversível e frustrado. Por agora, eu só preciso ter mais tensão e menos tesão. Se não, um dia não amarei o amor verdadeiro. Percebo hoje, que em mim não nasce mais nem má vontade.

"E chega! Há anos peço o príncipe e só me mandam o cavalo." - Tati Bernardi.