sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Mata-me depressa

Adoraria te matar e seguir em frente. Uso a morte aqui como mero recurso metafórico; não tenho raiva de ti. Não nutro nada destrutivo por ti. Esse relacionamento foi esse jogo de palavras e sensações ruins que mataram tudo de bonito que eu sentia por ti. E ficou esse vazio, essa emoção rasa que nem para se agarrar ao sofrimento tem servido.

Talvez uma última hipérbole já cansada resgataria com alguma graça o gosto de sofrer de verdade. Não veio. E também não resolveu nada.

Eu só queria que você morresse de uma vez e que fosse logo, dentro de mim. Assim eu caminharia como um desconhecido que atravessa as ruas sem que a multidão saiba desse assassinato silencioso e sem talento; necessário.

Mas você não morre. E faria um bem danado que você me golpeasse novamente, só que com mais força para dessa vez não levantar. Descontaria toda essa raiva que tu sentes de mim e eu não sentiria mais o teu desprezo, as tuas vinganças bobas.

Que pena que o menino não te quis. A tua urgência não foi atendida porque não foi considerada importante. E tu nunca mais encontraste ninguém que quisesse dar atenção às tuas feridas. Que pena que isso não tenha matado tua ansiedade, que não tenha organizado nada dentro de ti, que não tenha te dado clareza. E sei que era mais uma tentativa à queima-roupa. Pegou de raspão e ele preferiu ser meu curativo.

Que pena que as tuas tentativas de me matar não tenham dado certo. Solta esse vidro de veneno sabor rancor que tu tomas enquanto esperas que eu morra. Vamos querer nos recuperar para sermos melhores para outros. Porque mesmo sem uma gota de sangue nós já tivemos o nosso fim.


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